Pular para o conteúdo principal


SOMOS PLURAL

Ao nascer, o ser humano não sabe se alimentar, se mover, se comunicar, se proteger,
manter a saúde. É mais dependente e por mais tempo do que qualquer outro animal.
Mesmo quando cresce, sozinho não é capaz de prover a si mesmo das necessidades mais
elementares. Ter um abrigo, alimento apropriado, condições essenciais para o seu
desenvolvimento biopsicossocial. Ele precisa de um outro que o confirme em sua
existência, precisa experimentar a afetividade sadia para então desenvolver autoconfiança e
autoamor. Precisa ser inserido em uma cultura para vivenciar o pertencimento e realizar as
suas potencialidades em um grupo.

Durante toda a vida vão tecendo-se teias de relações interpessoais, onde todos têm sua
importância, mas nem todos percebem esta importante dinâmica existencial. Precisamos
uns dos outros em maior ou menor escala, mas precisamos do outro até e principalmente,
para nos constituirmos como um EU. Preciso, dentro de um espaço de autonomia e
liberdade, que o outro me veja para que eu me sinta presente. É a presença do outro que
oferece significado à existência, e pode facilitar minhas realizações e bem-estar.

Ao contemplar as várias maneiras pelas quais me beneficio das contribuições de inúmeras
pessoas, inclusive de estranhos, reconheço que é a presença do outro que torna a minha
vida possível. Na liberdade e responsabilidade de me tornar um existente, no dever de
realizar o meu projeto existencial, sou sozinho, mas é a presença do outro que me confirma
na minha existência. Somos plural!

De qual entrelaçamento inimaginável entre pessoas e relações dependo para que minha
vida seja possível momento a momento? Refletir sobre isso me protege do isolamento e do
autocentramento.

“O ser humano se torna eu pela relação com o você, à medida que me torno eu, digo você.
Todo viver real é encontro.” (Martin Buber)

(Texto produzido pelas psicólogas Dalissa Vieira Teixeira e Maria Luiza Rocha – Equipe
CPH MINAS / Arte: @carluccio7)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Criança é tanto! Ter uma criança entre os braços é testemunhar o milagre da vida num abraço sentir o cheiro da pele de um pequenino é como desvendar o perfume Divino olhar nos olhos de uma criança é reencontrar a esperança aceitar, amar e cuidar desse novo ser é descobrir o sentindo da palavra acolher   é ter a certeza de que Deus em sua simplicidade  ainda acredita na humanidade!  (Poesia de Maria Luiza Roch a, fundadora e membro do CPH MINAS)
  O meu processo e o processo do outro      Nossa vida e nossa subjetividade podem ser comparadas ao oceano. Quando visto de cima, é um amontoado de cores e formas, preenchidos por barcos, jangadas, lanchas,iates e  navios.      Imaginemos que cada uma destas embarcações seja uma pessoa, e que o oceano, em toda sua imensidão, represente a profundidade que existe em cada ser humano. Em alguns momentos, a água está turbulenta e o tempo não está favorável, fazendo com que alguns barquinhos fiquem vulneráveis e suscetíveis a sofrer quedas . Em outros lugares do oceano, o tempo está fresco, a água calma e o sol radiante. Assim como a vida, cada um está passando por um processo diferente: ora alguns estão sentindo dificuldades, dúvidas e temores, e outros estão desfrutando a imensidão e beleza das cores do mar, cada um com seu transporte.      Há quem escolha jangadas para se aventurar com as brisas e sentir o mar mais próximo; Há quem es...
COMO LIDAR COM A CULPA   Na vida, de forma geral,   estamos sempre nos responsabilizando pelos nossos atos. E isso é bom! No entanto, em alguns momentos, somos pegos, assumindo uma forma exacerbada com a perfeição que, ao percebermos falhas em nossas escolhas, damos permissão ao sentimento de culpa, gerando um desconforto interno.   Cada um de nós carrega a culpa por um motivo ou situação. Culpa pelas palavras duras ditas em uma discussão, culpa pelo fim de um relacionamento, culpa por não ter feito algo, culpa por dizer não ao filho, culpa por não saber dirigir, culpa por não saber falar inglês.   A lista pode ser interminável.    A culpa pode ser considerada paralisante, com isto,   comprometendo a relação da pessoa consigo mesma e com os outros. Devido a um alto grau de exigência, algumas pessoas podem se achar merecedora desse sofrimento, ocasionando uma má qualidade de vida e o adoecimento emocional. Não há uma disponibilidade para p...